7 de dezembro de 2005

É uma subida, mas...

A Sic notícias emitiu uma reportagem, que incluiu entrevistas de rua, sobre a subida do preço da electricidade para o próximo ano. A notícia online refere que para os comsumidores domésticos o preço sobe 1,2%, comércio e serviços vêm os preços aumentar 14,9% e para a indústria a subida é de 16,3%.

O que me surpreendeeu foi o comentário das pessoas a queixarem-se dessa subida. É verdade que é uma subida, mas, por um lado é abaixo da inflação prevista para o ano que vem (a rondar os 2,5%), e por outro será abaixo da maioria das subidas dos ordenados e pensões (que creio estar acima dos 2%), o que significa que corresponde a uma descida, dado que corresponde a uma descida do poder de compra (por outras palavras, sobra mais dinheiro para o resto).

Quem se tem que queixar (e queixaram-se os entrevistados) são os empresários, já que esta é uma subida enorme, bastante acima da inflação, o que, só por si poderá provocar uma subida da mesma. Na reportagem uma empresária hoteleira, proprietária de um restaurante, referiu que nos últimos anos não aumentou os preços e que agora vai ter que reduzir as margens de lucro, ou seja, vai voltar a manter os preços.

Atendendo a que o preço do petróleo tem aumentado bastante, a subida até é pequena para o utilizador doméstico (quem leva com o aumento são as empresas).

A notícia online da SIC parece-me sensacionalista, porque afirma que o preço médio sobe 5,1%, mas para as pessoas normais só aumenta 1,2%. Atendendo a que a média destes valores é de 10,8%, isso quer dizer que os 5,1% são uma média ponderada e que para a maioria vê um aumento de 1,3% (como é previsível).

Acho que as pessoas estão numa onda de queixarem-se de tudo (ou eu de me queixar a menos) e de nada. Basta ver o que tem acontecido com a redução dos benefícios para os funcionários públicos (há quem diga, como eu, que eles deviam ter vergonha de se queixarem dessa e de outras questões), ou o braço-de-ferro na AutoEuropa entre os administradores e os funcionários relativamente à subida dos ordenados, e questões relacionadas, para o ano que vem.

Será que as pessoas queixam-se mais agora só porque alguém disse que portugueses queixavam-se pouco, ou será que é moda queixarem-se?

1 comentário:

Paulo M disse...
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